No Brasil a história do Blu-ray é remake do DVD

Os colecionadores de dvd sofreram (e ainda sofrem) com a falta de qualidade de algumas edições nacionais. Com a chegada dos blu-rays pensava-se que um filme em alta definição produzido especialmente para equipamentos como telas widescreen e home-theater seria a salvação dos colecionadores brasileiros. Mas que nada! Erros nas impressões de capa, bitrate diminuido para caber em blu-ray simples, edições peladas e o pior de todos os problemas, formatos de tela mudados para a tela ficar toda preenchida.
A história se repete onde nunca se esperaria repetir. Bastava-se reautorar o mesmo material apresentado no exterior, mas as empresas brasileiras querem ser diferentes!

Veja o último exemplo, o blu-ray do remake do filme Piranha. Abaixo em amarelo trechos de comentários do site "dvd magazine".

"Vamos aos detalhes. A qualidade da imagem é sofrível nesta edição, com fraca qualidade de detalhes, apesar da sua boa coloração. Mas o pior é o de ter uma proporção de tela diferente da edição dos cinemas e do BD do mercado internacional. Aqui se tem uma proporção de 1.85:1, contra 2.35:1 na edição original. Talvez este fato demonstre a queda de qualidade, visível na comparação das imagens desta edição e da americana."

Formato original no blu-ray americano



Formato aproximado pela Imagem Filmes para ficar a tela preenchida,
não se importando se haverá perda de qualidade da imagem



Formato original


Zoom no blu-ray nacional cortando toda a composição original da imagem




"O gráfico da “taxa de transferência”, o chamado “bitrate”, também indica esta deficiência. Está formatado num disco de camada simples (BD25), cuja imagem ocupa apenas 17.010.118.656 bytes. A média do “bitrate” é de 19999 kbps, apesar do gráfico indicar bons picos de mais de 40000 kbps, tem muitas partes com menos de 10000 kbps (menor que um DVD) veja:"



"O áudio está correto no idioma original, com trilha em HD, mas não agrada a distribuição dos canais, que dão ênfase para os efeitos e “sustos” nos canais surround. A trilha sonora acaba ficando obscura. O subwoofer trabalha bem, na medida certa. Mas a dublagem... Tem fraca escolha de elenco e tem uma distribuição de canais inferior.

Material extra? Nesta edição, nenhum. Na americana tem pelo menos uma trilha com comentários em áudio, um making of detalhado com duração até maior do que o filme, cenas deletadas, galeria de imagens e material promocional, como trailers e spots de TV."
Ou seja, comprimiram a imagem do filme para caber num blu-ray de camada simples e deram zoom na imagem para preencher toda a tela de uma tv widescreen.

Se nos dvds as empresas nacionais decepavam a imagem em suas bordas para caber em TVs de tubo 4x3 (e muitas vezes ainda o fazem), agora o mesmo é feito para as tvs widescreen, caso a produção cinematográfica criada daquela forma pelo diretor não se enquadre perfeitamente ao formato 16x9.


A retirada de extras e a compressão da imagem para caber num blu-ray de camada simples serve na verdade para diminuir a qualidade do produto e como um grande incentivo aos "piratas" que poderão gravar em blu-rays virgens sem a mínima dificuldade.

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